O que separa a rotina escolar de uma tragédia irreparável?
No CAIC Bairro Novo, em Curitiba, essa distância foi de apenas alguns passos e a total ausência de vigilância. O grito de socorro de um pai ecoa hoje como um alerta desesperado para toda a capital: nossas crianças estão realmente seguras atrás dos muros da escola?A pequena Eloah Rodrigues Prudente, de apenas 4 anos, não é apenas um nome em uma lista de chamada; ela é a vida de uma família que, por instantes que pareceram eternos, viu o chão sumir. Enquanto deveria estar sob a guarda atenta do Estado, a menina atravessou a fronteira entre a segurança e o perigo absoluto, sozinha, sem que um único olhar adulto a impedisse.
A reconstrução dos fatos desenha um cenário de negligência sistêmica. Não foi um erro isolado, mas uma sucessão de portas abertas para o desastre: o parquinho, que deveria ser vigiado, tornou-se o ponto de partida para a fuga. Um portão lateral sem travas facilitou a saída, enquanto o portão principal do estacionamento, que segundo relatos permanece escancarado diariamente, serviu como a última barreira inexistente entre a criança e o caos das ruas.
“Minha filha saiu sozinha pela rua! Estamos falando de um bebê de 4 anos! Onde estavam os olhos que deveriam cuidar dela? Isso não é um erro comum, é um abandono!”, desabafa o pai, com a voz embargada pela indignação e pelo trauma.Vulnerável e exposta a atropelamentos ou à maldade de estranhos, Eloah caminhava sem rumo até ser avistada por um motociclista. Em um gesto de humanidade e heroísmo silencioso, esse trabalhador interrompeu seu trajeto para acolher a criança e levá-la de volta. Se não fosse por esse “anjo” anônimo, o desfecho desta reportagem poderia ser o mais sombrio possível. A sorte não pode ser a política de segurança das nossas escolas.O episódio no CAIC Bairro Novo não é apenas uma falha administrativa; é uma ferida aberta na confiança de cada pai e mãe que deixa seu bem mais precioso em uma instituição de ensino. Quando uma criança de 4 anos desaparece sob a tutela de diretores e professores, o sistema não apenas falhou ele desmoronou. Fica a pergunta urgente: as autoridades vão esperar o pior acontecer para agir.
Fonte: Cic Alerta.
