CASO EVANDRO: 7 Inocentes e quem matou Evandro?

Ministério Público apresentou recurso especial para tentar reverter decisão que anulou os processos em novembro de 2023.

Trinta anos. Três décadas de silêncio, dor, estigmas e luta. Foi preciso quase metade de uma vida para que, finalmente, o Judiciário brasileiro reconhecesse o que muitos já sabiam: os sete acusados no emblemático Caso Evandro foram vítimas de uma das maiores injustiças da história criminal do país. Nessa terça feira (16) as 14h a turma do STJ julgou o recurso do MP para reverter a nulação do processo do caso Evandro, e determinou a absolvição de todos eles. O peso da culpa, enfim, começa a ser retirado mas as marcas do sofrimento continuam, afinal nessa história terrivel houveram bem mais pessoas punidas.
O Caso Evandro, ocorrido em 1992, em Guaratuba (PR), chocou o país com detalhes que beiravam o macabro: rituais satânicos, confissões obtidas sob tortura e um garoto de apenas 6 anos brutalmente assassinado. O que parecia um roteiro de filme de horror se transformou em realidade para Beatriz Abagge, Celina Abagge e outros cinco acusados, que carregaram nas costas a alcunha de “bruxos de Guaratuba” por décadas. Nenhuma prova concreta. Apenas confissões forçadas, pressão policial e uma sociedade sedenta por culpados.
A absolvição não apaga o passado, mas escancara o que muitos preferem não ver: o sistema falha. E quando falha, destrói vidas. Durante anos, essas pessoas foram perseguidas, atacadas, julgadas na praça pública. Sofreram a dor de perder o próprio nome, a própria identidade. Foram traídas pelo Estado.
E enquanto hoje se respira, com alívio, um pouco de justiça, há quem não esteja mais aqui para presenciar essa vitória. Evandro Ramos Caetano, o menino cuja morte deu origem a toda essa tragédia, continua sendo a ausência mais dolorosa. Também não estão presentes familiares e amigos que morreram esperando por esse momento, sem nunca verem o reconhecimento da inocência dos seus. Pessoas que se foram com o gosto amargo da injustiça na boca.
A absolvição dos sete acusados não é um final feliz. É um alerta. Quantos outros casos ainda esperam justiça? Quantas confissões ainda são arrancadas na base da dor? Quantas vidas foram perdidas para alimentar estatísticas ou satisfazer a opinião pública? E a principal pergunta, que nesse circo armado por pessoas maldosas caiu no esquecimento; QUEM MATOU EVANDRO???
Hoje, os nomes dos inocentes começam a ser limpos. Mas o verdadeiro desafio é garantir que o Brasil jamais esqueça o que aconteceu. Porque esquecer é permitir que se repita.
“A justiça pode tardar, mas não deveria destruir no caminho”, disse Beatriz Abagge, em lágrimas, ao deixar o tribunal em 2023 e hoje, ela sente um alivio por ter a certeza que sua luta não foi em vão.

Infelizmente, a inocência deles não trás a visibilidade e a mídia que teve para condena-los, e por esse motivo poucos sabem o verdadeiro desfecho de parte desse caso. Beatriz e Celina, escreveram um livro onde descrevem tudo que viveram, Malleus: Relatos De Injustiça, Tortura E Erro Judiciário

https://www.amazon.com.br/Malleus-Relatos-Injusti%C3%A7a-Tortura-Judici%C3%A1rio/dp/655861460X

É só para os fortes, pois é impossivel não se transportar e não emocionar em cada uma das paginas escritas com muita angustia e dor.
O Caso Evandro não termina aqui. Termina com uma sentença. Mas o luto — e a luta — continuam.