Um excelente trabalho da delegacia de São José dos Pinhais
Na manhã desta sexta-feira, às 6h, a Polícia Civil do Paraná, por meio da equipe da 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais, deu cumprimento a um mandado de prisão preventiva e a um mandado de busca e apreensão domiciliar em desfavor de Ivandro Pimenta de Souza, de 30 anos, investigado pela prática de uma série de crimes de estelionato que vitimaram diversas pessoas no Paraná e em outros estados da Federação. As investigações apontam que o investigado desenvolveu um sofisticado esquema de fraudes baseado na conquista da confiança das vítimas. Segundo apurado, Ivandro frequentava igrejas e outros círculos sociais, aproximando-se das pessoas e construindo vínculos de amizade antes de iniciar as práticas criminosas. Em seguida, apresentava-se falsamente como Agente da Polícia Federal ou Auditor Fiscal da Receita Federal, afirmando possuir influência junto a autoridades federais, ministros de tribunais superiores e acesso privilegiado a mercadorias apreendidas pela Receita Federal.


Valendo-se dessa falsa condição funcional, oferecia à venda produtos por valores muito inferiores aos praticados no mercado, alegando que eram provenientes de apreensões e leilões da Receita Federal. Entre os bens anunciados estavam aparelhos celulares, iPhones, notebooks, aparelhos de ar-condicionado, bicicletas, relógios, pneus, máquinas de lavar, equipamentos hospitalares e diversos outros produtos. Em grande parte dos casos, as vítimas realizavam pagamentos antecipados, porém jamais recebiam as mercadorias. Quando cobrava a entrega, o investigado apresentava justificativas falsas, afirmando que os produtos estariam retidos por supostas instabilidades no sistema da Receita Federal. Além desse golpe, a investigação revelou outros métodos fraudulentos empregados pelo investigado, incluindo falsas oportunidades de investimento em imóveis adquiridos em leilão, com promessa de elevados lucros, bem como um esquema relacionado a supostas restituições do Imposto de Renda, no qual convencia as vítimas a contratar uma suposta advogada por ele indicada mediante pagamento de honorários para supostamente agilizar a liberação dos valores. As investigações também demonstraram que, após começar a ser questionado pelas vítimas, Ivandro passou a realizar ameaças e ligações intimidatórias dirigidas às vítimas e seus familiares, circunstância que contribuiu para que diversas pessoas deixassem de registrar ocorrência policial ou de prestar declarações formais por receio de represálias. Até o momento, a Polícia Civil já identificou diversas vítimas e um prejuízo financeiro superior a R$ 213 mil, sem prejuízo da identificação de novas vítimas e da apuração de outros fatos criminosos, razão pela qual as investigações permanecem em andamento. A Polícia Civil acredita que o número de vítimas seja significativamente maior do que o atualmente formalizado no inquérito policial, havendo indícios de que os golpes tenham sido praticados em diversas cidades do Paraná e também em outros estados brasileiros.
Como aconteciam os golpes conforme apurado pela Polícia Civil, o investigado desenvolveu um sofisticado esquema de estelionatos baseado na construção de uma falsa identidade funcional e na exploração da confiança das vítimas. Inicialmente, aproximava-se de pessoas em ambientes religiosos, passando a frequentar igrejas e estabelecendo vínculos de amizade com membros da congregação e seus familiares. Após conquistar a confiança do grupo, apresentava-se falsamente como Agente da Polícia Federal ou Auditor Fiscal da Receita Federal, alegando atuar em investigações federais, possuir influência junto a autoridades e ministros em Brasília e ter acesso privilegiado a mercadorias apreendidas pela Receita Federal. Para conferir credibilidade à narrativa, contava histórias detalhadas sobre supostas operações policiais, processos judiciais e apreensões de valores realizadas por órgãos federais, criando nas vítimas a convicção de que realmente ocupava cargo público de elevada relevância. As investigações identificaram que o esquema criminoso possuía, ao menos, três modalidades principais de fraude. A primeira consistia na falsa venda de mercadorias supostamente provenientes de apreensões ou leilões da Receita Federal. O investigado oferecia aparelhos celulares, iPhones, notebooks, aparelhos de ar-condicionado, bicicletas, relógios, máquinas de lavar, pneus, equipamentos hospitalares e diversos outros produtos por preços muito inferiores aos praticados no mercado. Em alguns casos, entregava um ou outro produto de menor valor para transmitir credibilidade ao esquema e conquistar novas vítimas. Em seguida, passava a receber pagamentos antecipados por diversos outros bens que jamais eram entregues, apresentando sucessivas justificativas, como supostas instabilidades no sistema da Receita Federal, retenção de pedidos, bloqueios administrativos ou dificuldades internas para liberação das mercadorias. A segunda modalidade consistia no golpe da falsa restituição de valores. O investigado afirmava possuir acesso aos sistemas da Receita Federal e dizia que determinadas pessoas tinham valores bloqueados ou pendentes de restituição. Em seguida, informava que poderia agilizar a liberação desses recursos, desde que a vítima contratasse uma advogada por ele indicada, mediante pagamento de valores que variavam aproximadamente entre R$ 4.000,00 e R$ 12.000,00. Com essa narrativa, induzia as vítimas a acreditar que estavam diante de uma oportunidade legítima e excepcional, quando, na realidade, tratava-se de mais uma fraude patrimonial. A terceira modalidade envolvia falsos investimentos em imóveis de leilão (“FLIP IMOBILIÁRIA”). O investigado oferecia participação em supostos empreendimentos imobiliários, alegando que imóveis adquiridos em leilões seriam reformados e revendidos com elevado lucro. Prometia retornos financeiros extremamente vantajosos, chegando a mencionar dividendos de até 100%, convencendo as vítimas a investir quantias expressivas em negócios inexistentes. A investigação demonstrou que o investigado adaptava seu discurso conforme o perfil econômico de cada vítima, diversificando as abordagens para ampliar a captação de recursos e manter a aparência de legitimidade do esquema criminoso. Além dessas modalidades, ficou apurado que o investigado também solicitava empréstimos pessoais sob pretextos emergenciais, alegando necessidade de custear despesas médicas, honorários advocatícios ou problemas decorrentes de supostos processos federais. Em diversas situações, devolvia inicialmente pequenos valores emprestados, estratégia utilizada para fortalecer sua credibilidade e facilitar a obtenção de quantias significativamente maiores posteriormente. As investigações ainda revelaram que, quando as vítimas começavam a desconfiar da fraude ou cobravam a entrega dos produtos e a devolução dos valores, o investigado passava a adotar comportamento intimidatório. Segundo os relatos colhidos, realizava ligações em tom ameaçador, afirmava possuir influência sobre órgãos federais, dizia que familiares das vítimas poderiam ser presos e, em algumas ocasiões, alegava que seus telefones estavam sendo monitorados pela Polícia Federal e que poderia enviar viaturas ao local onde se encontravam. Essas ameaças tinham como finalidade impedir que as vítimas registrassem boletins de ocorrência, dificultar as investigações e manter outras pessoas em silêncio, permitindo a continuidade da atividade criminosa. Segundo a Polícia Civil, os elementos colhidos demonstram que não se tratava de fatos isolados, mas de uma atividade criminosa reiterada, estruturada e desenvolvida mediante um padrão de atuação cuidadosamente planejado, com utilização de falsa identidade funcional, exploração da boa-fé das vítimas, promessas de vantagens econômicas e sucessivas obtenções de vantagem ilícita por meio de fraude. Até o presente estágio da investigação, foram identificados indícios da prática de mais de vinte crimes de estelionato, havendo fundadas razões para acreditar que esse número seja significativamente maior, diante da existência de outras vítimas que ainda não procuraram a Polícia Civil para formalizar suas denúncias.A Polícia Civil faz um apelo à população Pessoas que tenham negociado com Ivandro Pimenta de Souza, adquirido produtos, realizado empréstimos, efetuado investimentos ou sofrido qualquer outro tipo de prejuízo decorrente de suas condutas devem procurar imediatamente a 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais para registrar boletim de ocorrência, apresentar documentos, comprovantes, conversas, transferências bancárias e demais elementos de prova, bem como formalizar representação criminal, quando cabível. O comparecimento de novas vítimas é fundamental para o completo esclarecimento dos fatos, para a responsabilização criminal do investigado e para a identificação da real extensão dos prejuízos causados. A Polícia Civil também solicita que eventuais vítimas residentes em outros municípios ou estados procurem a delegacia de sua cidade ou entrem em contato com a 1ª Delegacia Regional de Polícia de São José dos Pinhais para prestar informações que possam contribuir com a investigação.