Saiba por que não usar a ‘pegada suicida’ utilizada pelo homem que morreu fazendo supino na academia

Técnica deve ser evitada em exercícios com peso livre, orienta professor de educação física

Ainda não se sabe as causas exatas da morte do homem de 55 anos que deixou uma barra de musculação cair sobre o peito em uma academia em Olinda nesta semana. Mas detalhes do vídeo que registrou o momento e viralizou chamam atenção de especialistas em educação física e saúde para alguns riscos e cuidados necessários nesse e em outros exercícios.

Em primeiro lugar, está a posição das mãos do homem. É possível perceber que ele não envolve a barra com o polegar e, assim, deixa todos os dedos um ao lado do outro no equipamento. Essa forma de segurá-lo é chamada de “pegada suicida”. “O nome já é sugestivo. Também chamada de pegada falsa, ela coloca o praticante em risco em equipamentos livres, como a barra, porque o polegar não os envolve e não dá uma sustentação”, introduz o professor de educação física da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) André de Assis Lauria, especialista em musculação.

Ele explica que essa pegada ajuda a imprimir uma carga maior no exercício e pode ser utilizada em equipamentos articulados, mas não em exercícios com peso livre. E mesmo com a pegada correta, lembra ele, as modalidades livres são mais arriscadas. “Se a pessoa for iniciante, preconizo começar a treinar em máquinas até saber a técnica correta, afinal estamos trabalhando com sobrecarga, e todo exercício livre tem certo risco”, diz.

Idealmente, exercícios como o supino que o homem que morreu estava fazendo devem ser realizados com auxílio de outra pessoa, que pode deixar as mãos sob a barra para impedir o impacto caso o praticante não suporte a carga. “Exercícios livres demandam atenção, como o agachamento livre com barra, que trabalha com um peso bastante elevado e incide diretamente sobre a coluna vertebral. Evite sobrecarga excessiva e, se possível, tenha uma pessoa assessorando”, recomenda o professor.